terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

As Entrelinhas do Filme “Um Caminho de Luz”

Por Maicon Reinaldo Medeiros Graeff
Seminarista da Diocese de Novo Hamburgo - R.S.


Há alguns anos atrás foi lançado um filme na Espanha sobre uma jovem adolescente que vive, adoece e morre santamente. O longa-metragem chegou ao Brasil no ano passado (2010) com o título de “Um Caminho de Luz”, que dá como nome à personagem principal “Camino”. Em geral, a história mostrada é comovente e exemplar. Um dos fatos que chama a atenção é uma frase de Camino ao homem que vai à sua casa consertar a máquina de lavar: “o senhor sabia que pode ser santo consertando máquinas?”. Ora, nascida numa família católica assídua e, inclusive, invejável, a menina não poderia dar melhor exemplo.
Com o passar do tempo, Camino naturalmente cresce, mas desenvolve uma doença grave que, aos poucos, vai deixando-a imóvel. Mesmo doente, suas práticas de piedade são mais vigorosas do que nunca: um intenso amor aos sacramentos, devoção ao seu anjo da guarda – ao qual põe o nome de Hugo – oração intensa e pequenas renúncias diárias.

Mostra o filme que Camino é uma menina amável e virtuosa. Apaixona-se por um menino chamado Jesus, mas, devido à doença, acaba desiludida. Tem um pai ausente por causa do trabalho e uma mãe extremamente escrupulosa e insensível. Dentre as façanhas da mãe, destaca-se que tenha escondido cartas de um namorado da irmã de Caminho, Maria José, para que esta acreditasse que ele não mais a amava e, por isso, aceitasse que sua vocação era ser numerária auxiliar do Opus Dei, prelazia pessoal da qual a mãe também participava.

A partir disso, o filme desenlaça-se com o agravamento da doença de Camino e com o esmero do cuidado de seus familiares, ainda que de forma um tanto quanto estranha. Entre fanatismos religiosos da mãe e docilidades heróicas por parte da menina, o filme, ao mesmo tempo em que comove, angustia. Comove porque a história, BASEADA em fatos reais, é linda. Angustia porque não é fiel aos fatos e, inclusive, afronta a Igreja Católica que, mais uma vez, é culpada de fanatismos que não prega.

A verdadeira história de Camino, que na verdade se chama Aléxia, encontra-se no livro “Aléxia, uma história de dor, coragem e alegria”, editado pela Quadrante, 1993 de Miguel Angel Monge. Curiosamente, Camino, palavra espanhola, quer dizer Caminho, em português, o nome do primeiro livro de São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei. Coincidência?


Em suma, quando o filme se pronuncia sobre a personalidade da menina, é fiel, exceto num detalhe importante: o Jesus que Aléxia amava era a segunda pessoa da Santíssima Trindade, e não o menino da escola. A paixão inserida no filme provavelmente deve ter sido um truque da produção para incrementar a história ou, na pior das hipóteses, para esvaziar a santidade e vida interior de Aléxia. Moncha, a mãe da menina é membro do Opus Dei, mas não é essa máquina insensível que o filme mostra. O livro, inclusive, deixa a impressão de que Moncha também viveu uma vida de santidade.

Neste artigo, apenas esclarecer-se-á alguns detalhes, não todos. Maria José, irmã de Aléxia, é sim numerária auxiliar do Opus Dei, mas não é fruto de uma desilusão amorosa provocada por Moncha. Quando visita a irmã no hospital, trata de cuidá-la com todo o esmero e carinho possível e não fica lendo livros como mostra o filme. Todos aqueles incrementos de não pegar táxi e andar com pedras nos sapatos, por exemplo, a biografia não conta.

Quanto ao pai, de fato, precisa trabalhar, mas quem consegue pagar os custos de um hospital sem ter de onde tirar o dinheiro? Contudo, sempre que estava com Aléxia, se mostrava amoroso e atencioso. Mesmo as brigas e discussões entre Moncha e seu esposo não são verdadeiras. Também a preferência da menina pelo pai em relação à mãe não é fidedigna.
Aléxia tem mais irmãos que sempre estão presentes com ela no hospital.

Com referência à Moncha, o monstro pintado pelo filme, na realidade é um anjo. Ela nunca disse que Aléxia é um empréstimo de Deus. Disse sim, que sua filha não era um prêmio (porque prêmios são merecidos!), mas um presente de Deus a ela. É uma diferença sutil, mas que inverte a situação.

Por fim, cabe-se salientar que Aléxia morreu sim, com fama de santidade, mas isso não foi fruto de mero interesse por parte de um padre do Opus Dei para que a prelazia tenha mais um santo reconhecido. Não é preciso. Aléxia cativava por si só.



Bom, ficam ainda duas sugestões ao leitor: ler o livro – é pequeno, mas esclarecedor e apaixonante – e conhecer o trabalho do Opus Dei para ter a certeza de que não se trata de fanatismos religiosos. Por que dar crédito a um filme que trata-se de ficção – embora baseado nos fatos – e não acreditar na biografia de Aléxia, autorizada pela família? É uma pena que algumas pessoas pensem que é sempre a Igreja Católica que está errada, até mesmo nós, católicos...

12 comentários:

  1. nossa, o filme é emocionante do jeito que é mostrado.. pelo artigo, parece que o filme em momento algum foi fiel à obra literária, o que não deveria ocorrer, e isso de certa forma é decepcionante.. a história é bonita do jeito q está no filme, e eu não duvido nada q uma mae e irma ao devotas fossem realmente da maneira q o filme mostra.. existe fanatismo em todas a religioes, inclusive no catolicismo.

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  2. acabei de assistir o filme e vim procurar algo sobre para publicar no meu blog, e achei muito interessante o modo que explica a relação do filme com o livro, vou fazer um post no meu blog, posso?
    e publicar o seu conteudo e te dar os creditos?
    Irei proucurar o livro para comprar!

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  3. eu queria saber qual o nome das musicas passadas no filme

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  4. coloca assim... "TRILHA SONORA DO FILME UM CAMINHO DE LUZ". La aparecerá todas as músicas.

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  5. O filme é muito bom e emocionante!!!vale apenar assistir.

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  6. assisti o filme e gostei muito mais que pena que algumas coisas apresentada do fime não demostra a realidade de uma vida cristã, certos pontos não condizem co ma ralidade....mais tirando isso o filme e espetacular e emocionante...

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  7. é o melhor filme que eu ja vi!

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  8. acho que oque mostra no filme é verdade sim existe fanatismo religiosos sim!e acho que boa parte do que esta no filme é verdade mas mesmo assim comprarei o livro mais assim como disse o autor desse blog aqui o filme é ficção quem garante que o livro também não é???

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    1. Paz de Cristo!
      De fato, existem fanatismos em todos os âmbitos da vida humana. Infelizmente, o Opus Dei é muito preconceitualizado. Uma prelazia como esta, por ter sido aprovada pela Santa Sé, no mínimo, tem algo a nos dizer, ainda que não se respire o mesmo carisma.
      Quanto ao livro ser ficção: a família de Aléxia tem parentes no Brasil e estão de acordo quanto a veracidade dos fatos relatados.

      Deus abençoe!

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  9. assisti o filme e achei que é uma ficção elaborado com muita má fé, não é fiel aos fatos verdadeiramente ocorridos, preconceituoso com a Igreja Catolica e com o opus dei, zomba da fé em Deus, como na parte em que ela pede para o pai dela filmar o sofá, onde ela diz que ele(Deus) se sentaria no sofá e depois no final mostra o sofá vazio, em fim para demonstrar que a fé em Deus é uma ilução dos crentes(isso o que eles acham) seria bom que nos catolicos que conhecemos um poucos mais da doutrina verdadeira alertasemos os outros sobre a má intenções que algumas pessoas tem para com a Igreja pois a tantos filmes ruins que lançam apenas para passarem algumas mensagem para o povo acreditar nas mentiras e desconfiarem da Igreja.

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  10. Eu vi o filme e prefiro ficar apenas com o que aprendi de bom!

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  11. Gosteii muito do Filme e muito emocionante Muito bom .

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